Nos Últimos vinte anos tem havido um crescimento significativo das chamadas Terapias
Complementares, hoje denominadas Praticas Integrativas e Complementares à Saúde Bucal,
e destas, a Homeopatia ocupa um lugar de destaque.
A Odontologia, embora ainda não contemplada com o reconhecimento da Homeopatia como especialidade,
acompanha esta tendência. Vemos assim um número cada vez maior de profissionais buscando
informações sobre esta modalidade terapêutica e de pacientes que procuram o Cirurgiã
o Dentista com conhecimentos na área, por já se tratarem com um médico homeopata e por
isso, gostariam de, quando necessário, serem medicados nesta linha.
Este interesse e confiança no tratamento homeopático se devem também, ao fato da
comprovada eficácia da Homeopatia em Odontologia nas diversas afecções na cavidade
oral, além da sua importância do ponto de vista social, devido ao seu baixo custo.
Assim, selecionamos algumas perguntas que normalmente nos são feitas e que acreditamos serão
úteis, aqueles que queiram aprofundar seus conhecimentos na área.
1. O que é Homeopatia?
A Homeopatia é uma terapêutica que se desenvolveu através da história, desde
Hipocrates até Hahnemann, médico alemão que a propôs, no final do século XVIII.
É um sistema científico-filosófico bem determinado, com metodologia de pesquisa
própria, apoiada na experimentação clínica de medicamentos homeopáticos.
Tal processo de experimentação é realizado em indivíduos sadios, para depois, através
do Princípio da Semelhança, utilizá-los em indivíduos adoecidos. Em outras palavras: existem na
Natureza substancias no reino Vegetal, Animal e Mineral, que podem provocar no indivíduo sadio sinais e sintomas
bastante característicos. Estas substâncias quando preparadas pela farmacotécnica Homeopática,
através de diluições e agitações podem curar sinais e sintomas apresentados no
sujeito adoecido.
2.Qual o princípio de atuação do medicamento homeopático?
Inúmeras pesquisas têm sido desenvolvidas para explicar a ação do medicamento
homeopático, tais como, a teoria da formação de clusters ou envelopes poliméricos
de moléculas de água, com especificidade topológica e estabilidade temporal, atuando nos
mesmos receptores do organismo, sensíveis à substância matriz ou a possibilidade de transmissão
de uma assinatura eletromagnética específica de determinada substância para a água ou
outro meio, ao qual o ser vivo é sensível ou ainda, explicações baseadas na física
quântica.
3.Qual a diferença entre Homeopatia e Fitoterapia?
A Fitoterapia utiliza exclusivamente princípios ativos de plantas medicinais em dose ponderal.
A Homeopatia, além dos princípios ativos de origem vegetal, utiliza outros de origem
mineral e animal, sendo todos submetidos a uma técnica de preparo própria como já
explicado acima. Assim, os bochechos com folhas de malva ou a aplicação tópica de
própolis, não são práticas da Homeopatia.
4.Podemos aplicar Homeopatia na Odontologia?
Existem inúmeras situações em que o medicamento homeopático pode ser prescrito,
auxiliando nas diversas especialidades odontológicas. Em Estomatologia, por exemplo, no controle e
diminuição das afecções de aftas recorrentes, em Periodontia, colaborando com os
procedimentos no tratamento da doença periodontal,, no pré e pós-operatório de
procedimentos cirúrgicos, além de possibilitar o controle da ansiedade e medo ao tratamento
odontológico. A Homeopatia objetiva a promoção de saúde do indivíduo no que se
refere à prevenção de doenças e a percepção que o indivíduo possui de si
mesmo e do meio em que está inserido, pois, ao passar pela anamnese homeopática, percebe a
importância de se observar, de se conhecer, para que possa transmitir isso ao profissional, que busca
compreendê-lo, para eleger o medicamento homeopático que irá resgatar seu equilíbrio,
dentro do conceito saúde-doença.
5.A Homeopatia é lenta? Seu efeito demora?
Existe uma certa confusão neste aspecto. Nas doenças agudas, a ação do
remédio será rápida, muitas vezes surpreendentemente rápida. Nas doenças
crônicas, nenhum tratamento é rápido e o mesmo acontece na Homeopatia . O paciente
crônico chega com uma série de alterações devido a intervenções
anteriores além de obstáculos à cura que existem, por exemplo, nas doenças iatrogênicas.
O tratamento, entendido como um reequilíbrio geral do paciente, pode às vezes ser mais demorado, pois
respeita os processos naturais, mas plenamente justificável pela proposta de cura definitiva do caso, sem
manifestações tóxicas ou efeitos indesejáveis.
Homeopatia: abordagem integral do paciente
Prática científico-filosófica ganha força entre os dentistas, com
benefícios reais para os pacientes. Assunto é tema de curso do Ciosp – Congresso
Internacional de Odontologia de São Paulo, que acontece de 24 a 28 de janeiro, no Anhembi.
Você entra no consultório, apresenta a carteirinha do plano de saúde à
recepcionista, senta-se e espera ser atendido. O “doutor” abre a porta, lhe chama cordialmente pelo
nome e aperta a sua mão. As primeiras perguntas referem-se aos seus hábitos alimentares,
doenças na infância, na vida adulta, hereditariedade. Até que o “doutor” pergunta se a
sua vida, do ponto de vista emocional, está bem, se o trabalho está lhe trazendo algum
tipo de angústia, enfim, como você está se sentindo e o que levou a procurá-lo.
Não, você não está num consultório médico. Tampouco é sua
primeira sessão de terapia com um psicólogo. A pessoa a sua frente é um dentista
homeopata. Isso mesmo: um dentista homeopata.
Independente da área de atuação, a Homeopatia se distingue dos tratamentos
convencionais por adotar uma abordagem especial na relação especialista-paciente.
“Isso vale também na Odontologia. Na essência, buscamos saber primeiro quem vamos atender,
conhecer seus hábitos, comportamentos diante de determinadas situações, suas angústias
e medos. É uma relação mais humanista, menos tecnicista, e que vê o paciente
como um todo”, explica o dentista homeopata Hélio Sampaio Filho, que há mais de 15 anos trata
seus pacientes por meio da Homeopatia. “Ao final, nosso objetivo é a cura total do paciente”.
Além de possibilitar o controle da ansiedade e medo ao tratamento odontológico, a Homeopatia
objetiva a promoção de saúde do indivíduo no que se refere à prevenção
de doenças e a percepÇão que o indivíduo possui de si mesmo e do meio em que
está inserido. “Ao passar pela anamnese homeopática, o paciente percebe a importância de se
observar, de se conhecer, para que possa transmitir isso ao profissional, que busca compreendê-lo, para
eleger o medicamento homeopático que irá resgatar seu equilíbrio, dentro do conceito
saúde-doença”.
Diferenças à parte, não espere encontrar no consultório de um dentista homeopata
algo fora do convencional, principalmente no que diz respeito à estrutura física e equipamentos.
A cadeira é a mesma, os instrumentos de trabalho também, o barulho do “motorzinho”
certamente será ouvido e a anestesia é idêntica. Mas o que muda, então?
Além da abordagem, os medicamentos prescritos no tratamento, é claro. Praticamente 100%
da prescrição homeopática provem de substâncias encontradas na natureza, seja no
reino vegetal, animal ou mineral, transformados em medicamentos homeopáticos através de
farmacotécnica apropriada. Mesmo o creme dental indicado pelos homeopatas pode ser a base, por
exemplo de calêndula , embora seja um produto fitoterápico e não homeopático.
Segundo Sampaio, existem inúmeras situações em que o medicamento homeopático pode
ser prescrito e os resultados têm sido extremamente positivos. “O inchaço e a dor
provocados após uma extração do siso, por exemplo, são consideravelmente
menores quando tratados com Homeopatia”, destaca o dentista. Doenças que possuem uma ligação
direta ou indireta ao estado emocional do paciente, como bruxismo, herpes e aftas, também encontram na Homeopatia
um grande aliado. “Em muitos casos o herpes, embora tenha origem viral, se manifesta após um estado de estresse,
de baixa resistência imunológica, fazendo com que a doença reincida várias vezes. Se o paciente
não for tratado no sentido de buscar o seu equilíbrio físico e emocional , certamente haverá
uma reincidência da doença. E é isso que o tratamento homeopático busca”
Outro diferencial importante é, sem dúvida, a confianÇa no tratamento
homeopático. “Isso deve-se ao fato da comprovada eficácia da Homeopatia na Odontologia no
tratamento de diversas afecções na cavidade oral, além da sua importância do ponto
de vista social, devido ao seu baixo custo”.
A Homeopatia na Odontologia
Embora ainda não seja considerada uma especialidade da Odontologia, a Homeopatia ganha cada vez
mais adeptos entre os profissionais da área. Segundo dados da ABCDH (Associação
Brasileira de Cirurgiões Dentistas Homeopatas), hoje, cerca de mil dentistas no Brasil atendem
seus pacientes adotando práticas homeopáticas. Em 1º de outubro, o Conselho Federal de
Odontologia (CFO) publicou Resolução específica na área – a 82/2008 –,
criando a habilitação em homeopatia para cirurgiões dentistas, estabelecida como
“Práticas Integrativas e Complementares na Odontologia”. A regulamentaÇão abrange
ainda a Fitoterapia, Acupuntura, Hipnose, Terapia com Florais e Laser.
Em tempos em que as pessoas buscam métodos alternativos em todas as áreas – saúde,
alimentação, atividades físicas – é de se estranhar porque a Homeopatia
demorou a chegar à Odontologia. “No começo, a especialização nessa área era
oferecida somente em cursos de Medicina. Mas, da mesma maneira como aconteceu entre os médicos, o
dentista homeopata também sofreu preconceitos da própria classe”, conta Hélio Sampaio
Filho, também presidente da ABCDH. A explicação básica para isso poderia estar
é na suposta falta de base científica que comprove os efeitos terapêuticos da homeopatia,
apesar de inúmeros trabalhos apresentados e publicados em revistas especializadas e congressos.
Por um tempo, as portas ficaram fechadas para os dentistas que desejavam especializar-se em Homeopatia. A
partir da década de 1990, no entanto, o número de dentistas que procuram especialização
na área ter crescido consideravelmente.
A Homeopatia também é tema de curso da 27ª edição do Ciosp – Congresso
Internacional de Odontologia de São Paulo, que acontece de 24 a 28 de janeiro, no Anhembi. Na
ocasião, o dentista homeopata Helio Sampaio Filho vai ministrar o curso “Práticas
complementares em Odontologia”. Promovido pela Associação Paulista de Cirurgiões
Dentistas (APCD). O “Congressão”, como é chamado pelos profissionais, engloba uma série
de atividades para os profissionais do setor, como cursos, workshops, simpósio, fóruns
clínicos e científicos, painéis e mesas demonstrativas.
Recentemente o Conselho Federal de Odontologia e os Conselhos Regionais, através de
Fóruns e inúmeras discussões que antecederam a estes, estabeleceram normas que
habilitam o Cirurgião Dentista a exercitar diversas Práticas Integrativas e Complementares
à Saúde Bucal.
Dentre estas, a Acupuntura se destaca por ter uma boa aceitação pela população em geral e
pela sua comprovada eficácia em diversas patologias relacionadas à boca.
Surgem entretanto diversas dúvidas em relação à sua aplicação na Odontologia,
por exemplo:
- Que tipo de aplicação teria o uso das agulhas de Acupuntura por um Dentista?
A Acupuntura, (que faz parte de um complexo chamado Medicina Tradicional Chinesa - MTC) trabalha, entre
outros, com um conceito do equilíbrio de uma energia que circula pele organismo denominada Qi ou
Ki. Esta energia circula por todo o corpo através de vias próprias ou meridianos.
Nestes meridianos existem pontos aonde são inseridas as agulhas com o objetivo de regular e
equilibrar os excessos ou deficiências nos órgãos.
Assim, quando temos como exemplo, alguém que é portador de uma inflamação na
gengiva (gengivite), e que mesmo com o tratamento convencional por um profissional especialista
não obtém o resultado esperado, a Acupuntura complementa este tratamento, auxiliando a
resolução do problema através do equilíbrio conseguido com as agulhas.
- Aonde são colocadas as agulhas neste caso?
As agulhas de acupuntura podem ser colocadas no trajeto do chamado meridiano do Estomago que se inicia
na face e corre por todo o corpo até os dedos do pé.
Assim, não há a necessidade de se agulhar a gengiva, nem a boca e sim o trajeto do citado
meridiano.
Além disto, conseguem-se excelentes resultados no controle da ansiedade e medo que normalmente
ocorre em quem procura um dentista.
- Existe dor na colocação da agulha nos pontos do meridiano?
Não, a inserção das agulhas é indolor, dando uma sensação de torpor e
relaxamento imediatos, trazendo inúmeros benefícios para o paciente.
- A Acupuntura em Odontologia é eficiente nos casos de dor crônica como, por exemplo, as Dores da Articulação Têmporo Mandibular?
Com certeza esta é uma excelente indicação para a Acupuntura em Odontologia.
Dores na região da face, principalmente na região da ATM, são tratadas de modo
muito eficaz por esta técnica, com as agulhas colocadas em pontos da face e em outros pontos de
um dos 12 meridianos existentes no corpo.
- É possível se conseguir uma anestesia com as agulhas de Acupuntura?
Sim, porém o que se consegue na verdade é uma analgesia utilizando-se para tanto aparelhos
eletrônicos associados, que ajudam a estimular os pontos necessários e se fazer
procedimentos menores sem o uso de substancias químicas.
A Medicina Tradicional Chinesa, como é conhecida mundialmente, engloba uma série de
procedimentos terapêuticos que incluem: Acupuntura e Moxabustão, Dietoterapia ou
dietética, Práticas de exercícios físicos, Massagens e Fitoterapia.
No Ocidente, normalmente dissocia-se estas práticas enfatizando-se mais a Acupuntura, por sua
maior divulgação e aceitação.
O conceito de saúde para a MTC é amplo e engloba a idéia de uma força vital
denominada QI ou CHI que rege as funções de todo organismo. O desequilíbrio desta
energia gera a doença e a importância da integração do Homem com a Natureza é
parte intrínseca do processo de saúde.
Diversas correntes e tendências filosóficas vindas principalmente do Oriente agregaram-se a esta
racionalidade terapêutica mesclando conceitos tais como os do Yin e Yang , dos Cinco elementos ou
cinco movimentos, dos órgão e vísceras (Zang – Fu), dos Meridianos e pontos de
Acupuntura que são utilizados exatamente para se obter, após um diagnóstico de
determinada afecção, o equilíbrio necessário para a cura ou equilíbrio do
doente.
Temos assim 12 meridianos principais que são utilizados no diagnostico e tratamento pela MTC:
Coração, Figado, Pulmões, Baço-pancreas, Rins, Pericárdio, Intestino delgado,
Vesicula biliar,Intestino grosso, Estomago, Bexiga e Triplo aquecedor e não existe consenso
sobre o número exato de pontos distribuídos nestes meridianos e outros extraordinários.
Fala-se algo em torno de 600 a 1500 pontos.
A boca é considerada como parte do meridiano do Estomago e os dentes - que são considerados uma
extensão dos ossos - regidos pelo meridiano do Rim. Estes são por conseqüência os principais
meridianos utilizados em Odontologia, porém outros pontos de outros meridianos são igualmente
empregados, como os pontos do Intestino Grosso e do Baço-pancreas, além de pontos extras da face
principalmente.
A Acupuntura realizada pelo Cirurgião Dentista aplica as agulhas ou eletrodos (no caso da
eletroacupuntura) ou mesmo o aparelho de Laser sobre estes pontos estimulando ou sedando os mesmos para
os casos de controle da ansiedade, prevenção de cáries, em periodontia, dores da ATM ou
ainda com finalidade sedativa ou para anestesia.